Foto - Divulgação - O pão no bafo tradicionalmente é preparado com três ingredientes principais: repolho ou couve, carne de porco e o próprio pão.

Em 2025, o município de Palmeira, nos Campos Gerais do Paraná, comemora os dez anos do inscrição do Pão no Bafo como Patrimônio Cultural Imaterial. O prato, originário dos imigrantes russo-alemães que chegaram à região em 1878, é composto por pequenos pães fermentados, cozidos no vapor e tradicionalmente servidos com carne suína e repolho refogado. A receita atravessou gerações nas colônias Quero-Quero, Papagaios Novos, Santa Quitéria, Lago e Pugas, consolidando-se como um dos principais símbolos da identidade local.

Waldir Joanassi Filho é ex-secretário de cultura e um dos idealizadores da legislação que protege bens culturais imateriais em Palmeira.

A oficialização do tombamento ocorreu em 2015, resultado de um trabalho técnico que culminou na criação de uma legislação municipal voltada à proteção do patrimônio cultural imaterial — à época, uma iniciativa considerada inovadora no estado do Paraná. Para Waldir Santos Joanassi Filho, ex-secretário de cultura e turismo do município de Palmeira, o reconhecimento do Pão no Bafo representou um marco importante, além do pioneirismo na legislação patrimonial no cenário paranaense. Elaborada antes mesmo da existência de uma norma semelhante em nível estadual, a lei colocou o município na vanguarda da valorização dos bens intangíveis, como saberes, práticas e tradições populares. “Dez anos depois, o pãozinho é parte indissolúvel da identidade palmeirense, e ganha novos ares com o pedido de Indicação Geográfica. Isso mostra que o prato continua sendo um traço identitário vivo da cidade, produzido, consumido e cada vez mais buscado por turistas”, avalia.

O passo mais recente no processo de valorização cultural do prato foi dado no início de 2025, com o protocolo do pedido de Indicação Geográfica (IG) junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A solicitação busca proteger a autenticidade da receita e reforçar seu vínculo territorial. A IG é uma certificação que reconhece a origem geográfica de produtos cuja qualidade ou reputação estão ligadas ao local onde são produzidos, e, no caso de Palmeira, funcionará como uma chancela oficial da ligação do prato com o município.

A Associação dos Produtores de Pão no Bafo de Palmeira (APAFO) é uma organização dedicada à preservação e promoção do tradicional prato “Pão no Bafo”, típico da cidade de Palmeira, no Paraná. Fundada por um grupo de produtores locais, a APAFO visa manter viva a tradição gastronômica trazida pelos imigrantes russo-alemães em 1878, quando se estabeleceram na região dos Campos Gerais.

A presidente da APAFO, Rosane Radecki, destaca que o objetivo é garantir que o prato mantenha sua essência e tradição. “Queremos despertar o interesse dos demais restaurantes da cidade com relação à importância da IG. O prato deverá seguir o Caderno Técnico de Especificações para que não seja descaracterizada a forma de ser feito”, afirmou. A iniciativa tem apoio de instituições como o Sebrae, cujo corpo técnico reconhece o potencial da IG para impulsionar o turismo gastronômico e fortalecer o desenvolvimento territorial da cidade.

O pão no bafo é chamado assim porque o pão é cozido no vapor, o que deixa sua textura macia, úmida e levemente aerada.

Hoje, uma década após seu reconhecimento como patrimônio imaterial, o Pão no Bafo continua sendo preparado, servido e celebrado por moradores e visitantes. Ele é presença certa em festas, feiras, reuniões familiares e roteiros turísticos. A busca pela Indicação Geográfica é, ao mesmo tempo, um marco e uma nova etapa no caminho de valorização de um patrimônio que alimenta não apenas o corpo, mas também a memória e o sentimento de pertencimento dos palmeirenses. Em Palmeira, o pãozinho no vapor segue quente – e mais simbólico do que nunca.

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