Os Caminhos do Peabiru formam uma extensa rede de trilhas ancestrais que, segundo estudos, datam de mais de 3 mil anos. Essas rotas teriam conectado o Oceano Atlântico ao Pacífico, atravessando territórios que hoje correspondem ao Brasil, Paraguai e Bolívia, com possível extensão até o Peru. No território brasileiro, o traçado é tradicionalmente associado ao litoral de Santa Catarina e São Paulo, cortando o Paraná de leste a oeste.
Historicamente, o Peabiru é apontado como caminho utilizado por povos indígenas para circulação, trocas de mercadorias, expansão territorial e práticas rituais. Apesar disso, sua caracterização exata, identidade técnica e extensão permanecem em debate no campo da arqueologia brasileira.
Em maio de 2025, a Prefeitura de Palmeira instituiu um Grupo de Trabalho com a finalidade de coordenar e implementar ações relacionadas ao roteiro do Caminho do Peabiru no município. Um servidor municipal foi designado como Ponto Focal Municipal e coordenador do grupo, ficando responsável por representar Palmeira em todas as etapas do Programa Rota Turística Caminhos do Peabiru, além de outras ações previstas.
No entanto, no mesmo ano, dois laudos do Ministério Público Federal (MPF), que permaneceram sob sigilo até novembro, trouxeram à tona conclusões contundentes. Os documentos apontam que a narrativa difundida por um grupo político-empresarial sobre o Caminho do Peabiru foi construída a partir de mentiras, distorções históricas e informações sem respaldo científico, com o objetivo de viabilizar interesses políticos e econômicos.
Antes disso, em junho de 2024, a Prefeitura de Palmeira havia iniciado a sinalização do Caminho do Peabiru no município com apoio da ADETUR Campos Gerais, dando início à sinalização de aproximadamente 170 quilômetros de trilhas voltadas a caminhantes e ciclistas.
O trecho sinalizado teve início no Cemitério da localidade do Cercado, seguindo até a entrada da cidade de Palmeira, na localidade de Pugas de Cima. Posteriormente, o projeto previa a conexão da trilha com os municípios de Porto Amazonas e a Colônia Witmarsum.
Com a liberação do relatório do MPF — resultado de pedidos feitos pelos estudiosos Fábio Krawulski Nunes e Rosana Bond para investigar possíveis crimes contra a administração pública e a distorção de fatos históricos —, a narrativa promovida em torno do caminho começou a ruir diante das evidências documentais e científicas apresentadas.
Embora a arqueologia brasileira ainda debata aspectos específicos do Peabiru, o relatório é categórico ao afirmar que o que vem sendo divulgado como uma suposta “história milenar inca” não possui comprovação científica e configura uma construção fraudulenta, voltada a fins políticos e empresariais.
Diante desse cenário, surgem questionamentos sobre a veracidade dos pontos e trechos demarcados em Palmeira. À época, o traçado já havia despertado desconfianças, uma vez que os estudos e a definição do percurso estariam ligados à mesma pessoa que, em 2009, ganhou notoriedade nacional ao criar a figura do chamado “ET Bilu”, posteriormente desmascarada em programa de televisão.
Diante das novas informações, o jornalismo da Rádio Cruzeiro procurou a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Palmeira, o secretário municipal de Turismo, Friederich Norbert Kliewer, e a coordenadora da ADETUR Campos Gerais, Karen Kobilarz, para esclarecer se as trilhas e trechos demarcados no município estão sujeitos à possibilidade de conter informações históricas ou arqueológicas sem comprovação científica.
Nenhuma resposta foi enviado até o momento nem por parte da Prefeitura de Palmeira através da Secretaria de Turismo, tanto da ADETUR Campos Gerais. O espaço segue aberto para esclarecimentos.




























