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Um estudo preliminar do projeto NAPI Biodiversidade – Serviços Ecossistêmicos, em parceria com o Centro de Computação Científica e Software Livre da Universidade Federal do Paraná, aponta que o aquecimento global pode reduzir em até 54% a diversidade de espécies nativas do Paraná até 2100.

Entre as espécies mais ameaçadas estão a araucária, árvore símbolo do estado e fornecedora do pinhão, que pode desaparecer do território paranaense, e a erva-mate, que pode perder até 68% das áreas propícias para cultivo em cenários pessimistas.

A perda dessas espécies ameaça também conexões essenciais, como a gralha-azul, responsável pela dispersão das sementes da araucária.

Segundo o pesquisador Victor Zwiener, anfíbios, répteis e plantas são os grupos mais vulneráveis, podendo perder mais da metade do habitat disponível.

Regiões como os Campos Gerais e a floresta estacional das bacias do Paraná e Paranapanema são as mais críticas, com aquecimento projetado de até 5,3°C.

Além do impacto ecológico, o estudo alerta para prejuízos econômicos e sociais, como na produção de erva-mate, no equilíbrio dos polinizadores e na saúde humana, com risco de maior uso de agrotóxicos.

A pesquisa analisou dados de quase 10 mil espécies e contou com o processamento do supercomputador do C3SL, capaz de rodar milhões de modelos para prever cenários futuros.

Para reduzir os impactos, os pesquisadores defendem a restauração de áreas degradadas, fortalecimento das Unidades de Conservação, criação de corredores ecológicos e atualização constante dos planos de manejo.

Zwiener reforça que as projeções não significam extinção inevitável e afirma que não se deve achar que está tudo perdido, nem que as espécies vão se adaptar sozinhas.

O estudo, segundo ele, serve como alerta e orientação para a conservação da biodiversidade.

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