Foto - AEN

O desmatamento na Mata Atlântica atingiu seu menor nível histórico e confirma trajetória de desaceleração.

O bioma está presente em uma boa porção do território do município de Palmeira.

O Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, desenvolvido pela Fundação SOS Mata Atlântica, MapBiomas e Arcplan desde 2022, registrou queda de 28% no desmatamento em relação ao período anterior – de 53.303 para 38.385 hectares.

Trata-se do menor índice dos quatro anos de acompanhamento.

Já o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, parceria entre a SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), confirma a mesma tendência.

Com um dado ainda mais expressivo: redução de 40% na supressão, que passou de 14.366 para 8.668 hectares.

Em quatro décadas de monitoramento, pela primeira vez o desmatamento anual ficou abaixo da marca de 10 mil hectares.

A Mata Atlântica abriga cerca de 70% da população brasileira e sustenta mais de 80% do PIB nacional.

Protegê-la é garantir segurança hídrica, estabilidade climática e produtividade agrícola para a maior parte do país.

O bioma tem condições de se tornar o primeiro no país a alcançar o desmatamento zero e avançar em uma agenda de restauração florestal em grande escala – e os dados de 2025, embora não encerrem o problema, mostram que essa direção é possível.

Esse cenário positivo, porém, convive com um risco concreto no plano legislativo.

Em 2025, o Congresso Nacional aprovou a Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a Lei da Licença Ambiental Especial, que enfraquecem mecanismos de controle do desmatamento justamente quando eles mostram resultados.

Uma das mudanças mais graves afeta diretamente a Mata Atlântica: o novo marco dispensa a anuência do Ibama para órgãos estaduais atuarem nas autorizações de desmatamento de vegetação primária e secundária em estágio avançado de regeneração.

A supressão de vegetação nativa nesses casos é vedada pela Lei e só é permitida em casos de utilidade pública e fim social.

A alteração na Lei da Mata Atlântica passa a permitir que a autorização para desmatamento seja realizada por um único órgão licenciador – incluindo municípios que, na maioria dos casos, não têm estrutura técnica para a análise dos estágios sucessionais da Mata Atlântica.

Deixe um comentário