Foto/Reprodução - Documentos da massa falida da Francisco Cherobim & Filhos em aparente estado de deterioração. As imagens foram encaminhadas à Rádio Cruzeiro e datam de 2024. Ex-funcionários relatam que ainda precisam recorrer a essa documentação para comprovar vínculos empregatícios, tempo de serviço e benefícios previdenciários, como auxílio-doença e aposentadoria. Como as fotografias foram registradas há dois anos, não é possível afirmar qual é a situação atual do acervo, e existe a possibilidade de que parte desses documentos sequer exista mais em 2026.

A falência da Francisco Cherobim & Filhos Ltda., uma das maiores empresas da história de Palmeira, completa 25 anos e ainda gera reflexos para ex-funcionários e credores.

Fundada em 28 de agosto de 1947, a empresa atuava na fabricação de compensados, lâminas de madeira, caixas de embalagens e resinas sintéticas. No auge das atividades, chegou a empregar mais de 700 trabalhadores, tornando-se uma das principais indústrias do município.

Em 1995, a empresa entrou com pedido de concordata preventiva, buscando uma recuperação financeira, mas o processo não teve sucesso. Em 13 de agosto de 2001, nos autos nº 231/2001 da Comarca de Palmeira, a Justiça decretou a falência da empresa.

Ao longo do processo, a massa falida teve três síndicos responsáveis pela administração: René José Stupak, Valmor Tozetto e, posteriormente, o advogado e administrador judicial Dr. Maurício de Paula Soares Guimarães.

A partir de 2011, começaram os procedimentos de avaliação e venda dos bens da empresa. O patrimônio avaliado chegou a aproximadamente R$ 4,3 milhões. No primeiro rateio, realizado em agosto daquele ano, 357 ex-funcionários receberam R$ 1,3 milhão, correspondente a 25% dos créditos trabalhistas reconhecidos.

Nos anos seguintes, novos leilões foram realizados. Em 2012, o patrimônio remanescente foi arrematado por R$ 2,75 milhões, possibilitando um segundo pagamento aos trabalhadores, no valor de R$ 1,57 milhão, beneficiando 372 ex-funcionários.

Em 2013, um terceiro rateio destinou mais R$ 1,53 milhão aos trabalhadores, também beneficiando 372 pessoas. Com isso, a massa falida informou que cerca de 78% do passivo trabalhista corrigido havia sido quitado.

Mesmo após mais de duas décadas, o processo ainda não foi totalmente encerrado. Entre os últimos desafios estão imóveis da antiga empresa ocupados por terceiros e outras pendências relacionadas à liquidação do patrimônio.

A Rádio Cruzeiro também recebeu relatos de ex-funcionários que enfrentam dificuldades para comprovar períodos trabalhados junto ao INSS, especialmente em processos de aposentadoria. Documentos ligados à massa falida chegaram a ser registrados em imagens de 2024 em condições aparentes de deterioração, mas não é possível afirmar qual é a situação atual desse acervo.

A história da Francisco Cherobim & Filhos mostra que o encerramento de uma grande empresa não termina apenas com o fechamento das portas. Mesmo 25 anos depois da falência, trabalhadores ainda buscam respostas relacionadas a documentos, direitos e registros de uma trajetória que marcou a história econômica de Palmeira.