Foto - Montagem Cruzeiro

O Dia Nacional do Patrimônio Cultural, celebrado neste 17 de agosto, chama atenção para três bens de Palmeira tombados pelo Estado do Paraná: a arquibancada histórica do Ypiranga Futebol Clube, a Casa dos Arcos e o Solar da Mandaçaia.

As situações são diferentes, mas têm algo em comum: a deterioração e a falta de preservação efetiva. A arquibancada aguarda recuperação após ser atingida por um temporal; a Casa dos Arcos está em ruínas; e o Solar da Mandaçaia deixou de existir fisicamente há cerca de duas décadas.

Os casos reforçam que o tombamento não pode ser apenas um reconhecimento no papel. Ao assumir esses bens como patrimônio cultural do Paraná, o Estado também tem responsabilidade pela fiscalização, conservação e adoção de medidas que impeçam sua perda.

Preservar o patrimônio é preservar a memória. E, em Palmeira, essa memória pede mais do que reconhecimento: pede ação.

ARQUIBANCADA DO YPIRANGA: MAIS DE UM SÉCULO DE HISTÓRIA

A arquibancada de madeira do Ypiranga Futebol Clube é um dos exemplares mais importantes do patrimônio esportivo de Palmeira.

Construída em 1922, a estrutura é considerada pelo Governo do Paraná um raro exemplar de arquibancada de madeira existente no Sul do país. O bem foi tombado em 14 de dezembro de 1990, com inscrição nº 107-II no Livro do Tombo Histórico.

Integrante do Estádio João Chede, a arquibancada preserva características da arquitetura vernacular regional, como lambrequins, treliçados e guarda-corpos de madeira.

Na noite de 27 de julho de 2025, porém, um forte temporal atingiu Palmeira e provocou a destruição do telhado da estrutura.

Desde então, a recuperação da arquibancada passou a integrar as discussões entre o Município, o clube e o Governo do Estado. Em novembro de 2025, o então líder do Governo na Assembleia Legislativa, deputado Hussein Bakri, anunciou que recursos para a reconstrução estavam garantidos.

A expectativa agora é pela continuidade dos procedimentos necessários para que a recuperação possa ser realizada, respeitando as exigências relacionadas ao tombamento estadual.

CASA DOS ARCOS: UM IMÓVEL EM RUÍNAS

A situação da Casa dos Arcos é mais antiga e envolve também questões judiciais.

O imóvel, localizado atualmente na Rua XV de Novembro, foi construído em 1923 pelo coronel Diogo Antônio de Freitas para sua filha Emília, casada com Urbano Camargo.

Segundo a Coordenação do Patrimônio Cultural do Paraná, trata-se de um raro exemplar da arquitetura de madeira, com varanda estruturada em alvenaria e arcos. O tombamento estadual ocorreu em 21 de setembro de 2004, com inscrição nº 151-II no Livro do Tombo Histórico.

Atualmente, o imóvel encontra-se em ruínas, situação que se prolonga há aproximadamente uma década.

Documentos do Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná registram que a Casa dos Arcos foi objeto de uma Ação Civil Pública, que resultou na condenação do Estado do Paraná para a realização de obras emergenciais destinadas a evitar a ruína do imóvel.

Ainda segundo os registros do CEPHA, foram realizadas duas tentativas de licitação para execução dos serviços, mas ambas não tiveram interessados. O valor inicialmente estimado, de aproximadamente R$ 24 mil, chegou a cerca de R$ 48 mil em uma nova tentativa.

Em 2020, o próprio Conselho discutiu também um pedido do proprietário para o cancelamento do tombamento, diante das dificuldades relacionadas à conservação do imóvel.

O caso permanece como um dos exemplos mais delicados da preservação do patrimônio histórico de Palmeira.

SOLAR DA MANDAÇAIA: UM PATRIMÔNIO QUE DESAPARECEU

O Solar da Mandaçaia representa outro capítulo dessa história.

Construído em meados do século XIX, na zona rural de Palmeira, o imóvel estava localizado no antigo caminho que ligava o município a São João do Triunfo.

A casa foi construída para Manoel Demétrio, personagem ligado à história regional e posteriormente reconhecido como herói da Guerra do Paraguai. O conjunto também contava com um antigo armazém utilizado pelos viajantes que passavam pelo caminho.

Com características da arquitetura rural dos Campos Gerais, a construção tinha estrutura de madeira, paredes de taipa de mão e cobertura em quatro águas.

O imóvel foi tombado pelo Paraná em 21 de setembro de 2004, com inscrição nº 150-II no Livro do Tombo Histórico.

Ocorre que, segundo informações locais, a construção desabou completamente há cerca de 20 anos.

Assim, embora o bem permaneça reconhecido oficialmente como patrimônio cultural, a edificação original que motivou sua proteção já não existe.

O QUE O TOMBAMENTO REPRESENTA NA PRÁTICA?

Os três casos mostram diferentes desafios enfrentados pelo patrimônio histórico de Palmeira.

A arquibancada do Ypiranga, tombada desde 1990, sofreu danos provocados por um evento climático e tem recursos anunciados para sua recuperação.

A Casa dos Arcos, tombada em 2004, chegou à condição de ruína e já foi objeto de medidas judiciais e tentativas de contratação de obras emergenciais.

O Solar da Mandaçaia, também tombado em 2004, perdeu completamente sua estrutura física há cerca de duas décadas.

O tombamento é um importante instrumento de reconhecimento e proteção do patrimônio cultural. No entanto, a preservação depende também de manutenção, recursos, projetos e articulação entre proprietários, Município e Estado.

Neste 17 de agosto, Dia Nacional do Patrimônio Cultural, a situação desses três bens históricos reforça a necessidade de discutir não apenas o reconhecimento do patrimônio, mas também os mecanismos capazes de garantir que ele permaneça de pé e possa ser conhecido pelas próximas gerações.