A história de Palmeira guarda vestígios de uma ocupação indígena muito mais antiga do que a própria fundação do município. Embora atualmente não exista Terra Indígena demarcada no território palmeirense, registros oficiais do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) apontam a existência de pelo menos 22 sítios arqueológicos cadastrados no município, evidenciando a presença de populações indígenas que habitaram a região muito antes da chegada dos colonizadores.
As informações aparecem em estudos ambientais realizados para o licenciamento da Linha de Transmissão 525 kV Ponta Grossa–Bateias, de 2018. Empreendimento do setor elétrico que atravessa municípios dos Campos Gerais e da Região Metropolitana de Curitiba. O levantamento arqueológico identificou diversos sítios registrados no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA), entre eles Santa Bárbara 1, Fundão 1, Fundão 2, Fundão 3, Três Morros 1, Três Morros 2 e Três Morros 3.
Os nomes chamam a atenção por coincidirem com localidades rurais conhecidas do município, especialmente na região de Santa Bárbara. A numeração utilizada indica a existência de mais de um ponto arqueológico em uma mesma área geográfica, situação comum quando pesquisadores encontram diferentes evidências de ocupação humana em uma mesma região.
Um dos aspectos mais relevantes do levantamento é a identificação de sítios ligados à chamada Tradição Itararé (itá = pedra ‘rã / rará / raré = cavar, escavar, sulcar ou correr entre).
Segundo a arqueologia brasileira, essa tradição cultural está associada aos ancestrais dos atuais povos Jê Meridionais, grupo do qual fazem parte os Kaingang e os Xokleng. A descoberta reforça a hipótese histórica de que os Campos Gerais integravam territórios ocupados por populações indígenas ancestrais muito antes da colonização europeia.
Além dos vestígios Itararé, o levantamento também aponta a existência de sítios classificados como pertencentes à Tradição Tupiguarani, demonstrando que a região foi utilizada por diferentes grupos indígenas ao longo de períodos distintos da pré-história regional.
Os registros arqueológicos possuem importância legal e científica. Quando um sítio é cadastrado junto ao IPHAN, significa que houve identificação técnica, georreferenciamento e registro oficial de vestígios arqueológicos. Essas áreas passam a integrar o patrimônio cultural brasileiro e recebem proteção específica da legislação federal.
Isso não significa, entretanto, que se tratem de Terras Indígenas reconhecidas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI). Os sítios arqueológicos representam evidências de ocupação humana antiga e patrimônio histórico, enquanto a demarcação de terras indígenas segue critérios jurídicos e administrativos distintos.
Para pesquisadores da história regional, os registros reforçam a necessidade de aprofundar os estudos sobre a ocupação indígena dos Campos Gerais e, especialmente, da região de Palmeira. A presença de sítios associados aos ancestrais Kaingang ajuda a compreender melhor um capítulo pouco conhecido da formação do município, cuja narrativa tradicional costuma destacar principalmente o tropeirismo, a pecuária e a imigração europeia.
Os dados arqueológicos indicam que muito antes da criação da Freguesia Nova de Palmeira e da chegada dos colonizadores, o território já era utilizado por populações indígenas que deixaram marcas permanentes na paisagem e na história local, muitas delas ainda pouco exploradas pela pesquisa histórica.
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