Na última terça-feira (31), a Câmara Municipal eira, por meio da Procuradoria da Mulher, marcou o encerramento das atividades legislativas do Mês da Mulher com uma homenagem ao Grupo de Mulheres do Coletivo Triunfo, que passou a integrar a Galeria Lilás.
Durante a cerimônia, a vereadora e procuradora da mulher, Fabiola Mereles, destacou a importância de reconhecer o protagonismo feminino, especialmente das mulheres do campo.
Em seu discurso, ela ressaltou que o mês de março simboliza não apenas conquistas, mas também os desafios ainda enfrentados pelas mulheres, sobretudo na ocupação de espaços de decisão.
A parlamentar enfatizou que o Coletivo Triunfo representa um movimento construído a partir da realidade das comunidades, reunindo mulheres que transformam sua rotina em um ato de resistência.
Que são mulheres que estão no campo, cuidando da terra, preservando a agrobiodiversidade e garantindo alimento na mesa de tantas famílias, mas que também estão organizadas, debatendo e fortalecendo seu papel na sociedade.
Fabiola também destacou que a pauta das mulheres deve ser abraçada por toda a sociedade, pois não é exclusiva das mulheres e é fundamental que os homens também estejam ao lado, contribuindo para uma sociedade mais justa e igualitária.
O vereador Lucas Santos, criador da Procuradoria da Mulher no município, reforçou que o órgão surgiu da necessidade de ouvir e atender as demandas femininas.
Declarou que não dá mais para fingir que os problemas das mulheres não existem.
Segundo ele, a homenagem ao Coletivo Triunfo representa o reconhecimento da força da organização social e do impacto positivo na vida de outras mulheres.
“Vocês não esperam, vocês agiram”, destacou o vereador.
Representando o coletivo, Maria Lúcia Viante falou sobre a importância das sementes crioulas, do trabalho coletivo e da valorização da vida no campo.
Ela ressaltou o papel da troca de saberes, da geração de renda e do fortalecimento da identidade das mulheres rurais.
“Somos a representação do que produzimos, da diversidade do campo e da força da mulher”, afirmou.
Também integrante do grupo, Leila Castilho destacou o espírito de união e apoio mútuo entre as participantes.
Segundo ela, o coletivo se tornou um espaço de escuta, acolhimento e associativismo, alcançando atualmente seis cidades do Paraná.
Leila destacou que as mulheres não querem ser separadas dos homens, mas, sim, caminhar juntos, lado a lado, agradecendo o apoio recebido e o reconhecimento na Galeria Lilás.
Ao final da solenidade, a vereadora Fabiola Mereles foi presenteada com um chapéu de palha de butiá, produzido artesanalmente por Olinda Vigand.
A peça, símbolo da vida no campo, representa a criatividade e a resistência das mulheres diante das dificuldades, surgindo da necessidade de proteção contra o sol e da falta de recursos.
A homenagem ao Coletivo Triunfo na Galeria Lilás simboliza não apenas o reconhecimento, mas também o compromisso de ampliar a visibilidade e as oportunidades para as mulheres, especialmente aquelas da área rural.
O encerramento do Mês da Mulher reforça que a pauta segue ativa durante todo o ano, impulsionando a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e inclusiva.
Memórias tecidas em palha
Durante a homenagem, um gesto carregado de simbolismo chamou a atenção do público. As mulheres do Coletivo Triunfo presentearam a procuradora da mulher com um chapéu de palha de butiazeiro, confeccionado artesanalmente por Dona Olinda Sczepanik Vingad.
Dona Olinda, de 58 anos, agricultora da comunidade rural de Vieiras, em Palmeira. Seus olhos brilhavam tanto quanto as fibras trançadas de seus chapéus. A peça entregue na cerimônia não era apenas um presente, mas a expressão viva de uma história marcada pela memória, pela resistência e pelo saber tradicional.

A arte, que aprendeu ainda menina — em um tempo em que o dinheiro era curto e a criatividade era abrigo — voltou à sua vida em um dia chuvoso. “Redescobri que ainda sabia fazer, como se minhas mãos lembrassem o que o tempo tentou apagar”, contou.
Cada chapéu leva cerca de um dia e meio para ser produzido, em um processo paciente, quase como o cultivo da terra. As tiras de até dez metros se entrelaçam em espiral até se transformarem em sombreiros robustos, companheiros de quem enfrenta o sol no campo.
Mais do que uma fonte de renda, o trabalho de Dona Olinda representa um reencontro com suas origens e com a tradição que aprendeu na roça. Assim, o chapéu entregue à procuradora carrega não apenas fibras de butiazeiro, mas também histórias, afetos e a força das mulheres do campo.
Ao redor, seus chapéus se misturavam às sementes crioulas expostas nas mesas, compondo um cenário que mostrava que a tradição não está apenas no que se planta, mas também no que se tece com a alma.



























