Era para ter iniciado no segundo semestre de 2025 o funcionamento da primeira Escola Municipal Cívico-Militar de Palmeira, voltada a alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, com idades entre 6 e 10 anos. A unidade escolhida para o projeto-piloto foi a Escola Municipal Professor Gabriel Prestes, localizada no bairro Vila Rosa. A proposta do modelo foi aprovada pela Câmara Municipal ainda em 2023 e previa o início das atividades após o recesso escolar de julho daquele ano.
No entanto, a implantação acabou sendo postergada. Em contato com a secretária municipal de Educação, Dirlene Aparecida Delfrate, por meio do Departamento de Comunicação da Prefeitura de Palmeira, a reportagem da Rádio Cruzeiro questionou se havia estudos técnicos que embasassem a adoção do modelo cívico-militar. Em resposta, a secretária informou que foram realizados estudos na área estrutural da escola, nos quais foram identificadas a necessidade de adequações legais e físicas para viabilizar as mudanças previstas.
Entre as exigências apontadas está a criação de cargos específicos para militares, como diretor e assessor, funções que não existiam na estrutura administrativa do município. Segundo a Prefeitura, um projeto de lei com essas alterações foi elaborado, passou por ajustes e está em fase final de tramitação, devendo ser reenviado ao Legislativo para aprovação definitiva.
Agora, no início do ano letivo de 2026, o modelo deve entrar oficialmente em funcionamento. Decreto municipal nomeia Gilnei Kuhn, para exercer o cargo em comissão de Diretor de Instrução Técnica em Escola Cívico-Militar.
O mesmo ato também designa Edorildo José de Lima, ocupante do cargo efetivo de professor na Secretaria Municipal de Educação, para exercer a função em comissão de Assessor de Apoio à Gestão Cívico-Militar, com efeitos a partir de 3 de fevereiro de 2026.
Apesar da oficialização do modelo, especialistas da área da educação têm apontado restrições à adoção do sistema cívico-militar, especialmente para crianças do Ensino Fundamental I.
Estudos de entidades como universidades públicas, associações de pedagogia e conselhos educacionais indicam que práticas baseadas em hierarquia rígida, disciplina militarizada e padronização de comportamentos podem não ser adequadas ao desenvolvimento infantil nessa faixa etária.
Pesquisas destacam que crianças entre 6 e 10 anos aprendem melhor em ambientes que priorizam a autonomia, o diálogo, a ludicidade e a mediação pedagógica, e não por meio de comandos e estruturas de controle típicas do ambiente militar.
Além disso, não há consenso científico de que o modelo cívico-militar resulte em melhoria consistente no aprendizado, sendo os resultados muitas vezes associados a fatores externos, como seleção de alunos e maior aporte de recursos.































