Flávia Wiza Levandoski e Vilmar Bastos. Foto/Waldir Joanassi (Dizi)
Flávia Wiza Levandoski e Vilmar Bastos. Foto/Waldir Joanassi (Dizi)

Uma coleção que floresceu

Em meio à paisagem rural de Papagaios Novos, no interior de Palmeira, uma coleção que começou de maneira simples se transformou em um grande projeto de cultivo de orquídeas. O Orquidário CVF – Coleção Vilmar e Flávia nasceu a partir da paixão dos produtores rurais Flávia Wiza Levandoski, de 31 anos, e Vilmar Bastos, de 42.

O que começou com aproximadamente 20 plantas, destinadas inicialmente à coleção pessoal do casal, ganhou novas proporções a partir das trocas de espécies com amigos e outros orquidários. A multiplicação das plantas também passou a fazer parte da rotina.

Vilmar explica que, a partir de uma planta matriz, é possível obter novas mudas por meio da multiplicação dos bulbos. Aos poucos, a coleção foi crescendo e aquilo que era hobby começou a ganhar características de empreendimento.

Vista geral do Orquidário CVF, onde a paixão de Flávia e Vilmar pelas orquídeas se transformou em um projeto de cultivo e multiplicação de espécies. Foto/Waldir Joanassi (Dizi).
Vista geral do Orquidário CVF, onde a paixão de Flávia e Vilmar pelas orquídeas se transformou em um projeto de cultivo e multiplicação de espécies. Foto/Waldir Joanassi (Dizi).

Do improviso às cinco estufas

As primeiras plantas foram cultivadas em uma estrutura improvisada, feita com tocos de madeira e lona. O crescimento do número de espécies e das vendas fez com que o casal adotasse uma estratégia simples: reinvestir os recursos obtidos na própria atividade.

Vieram novas estufas, melhorias na estrutura e a aquisição de novas espécies.

Hoje, o Orquidário CVF reúne mais de 30 mil plantas, distribuídas em cinco estufas, organizadas de acordo com as características e categorias das orquídeas.

O espaço reúne desde variedades bastante conhecidas pelo público até espécies raras, incluindo uma grande diversidade de mini-orquídeas e micro-orquídeas.

A diversidade de espécies impressiona no Orquidário CVF, com orquídeas de diferentes formatos, tamanhos e cores que revelam a riqueza e a beleza da coleção. Foto/Waldir Joanassi (Dizi).

Duas paixões, dois universos

Dentro do orquidário, Flávia e Vilmar também dividiram suas áreas de interesse.

Flávia dedica-se principalmente às orquídeas mais convencionais, aquelas que já fazem parte das coleções de muitos admiradores e possuem maior procura comercial.

Vilmar, por outro lado, encontrou nas mini e micro-orquídeas uma verdadeira paixão. Além das plantas destinadas ao cultivo e à comercialização, ele mantém uma coleção pessoal com aproximadamente 600 exemplares, reunindo espécies provenientes de diferentes partes do mundo.

São plantas pequenas no tamanho, mas gigantes na diversidade.

Nas estufas, o trabalho é dividido entre o casal, que compartilha as tarefas de cultivo, cuidados e manejo das orquídeas, mantendo a coleção sempre saudável e em crescimento. Foto/Waldir Joanassi (Dizi).

Pequenas no tamanho, raras na coleção

As micro-orquídeas estão entre as plantas que mais chamam a atenção dentro do viveiro. Muitas delas possuem flores minúsculas e características que exigem um olhar mais atento para serem percebidas.

Flávio apresenta sua coleção pessoal de mini e micro orquídeas — um universo de delicadeza, beleza e detalhes que encantam em cada flor. Foto/Waldir Joanassi (Dizi)

Para Vilmar, justamente esse universo de espécies menores é uma das partes mais fascinantes da atividade.

O colecionador acompanha características, formas, cores e desenvolvimento das plantas, mantendo espécies que dificilmente são encontradas em coleções comuns.

Em tons de amarelo-claro, com o interior em roxo, esta micro-orquídea revela sua beleza apenas para quem chega bem perto. Uma flor minúscula, delicada e cheia de detalhes que facilmente passam despercebidos à primeira vista. Foto/Waldir Joanassi (Dizi)

A ciência por trás das flores

O trabalho desenvolvido pelo casal também ultrapassa o cultivo convencional.

O Orquidário CVF realiza cruzamentos genéticos por meio de um laboratório autorizado localizado em São Paulo. O processo permite trabalhar características das plantas e buscar novas combinações.

Segundo os produtores, a técnica pode contribuir para modificar tonalidades, padrões de manchas e formatos das flores, além de possibilitar o planejamento das floradas.

Uma planta que naturalmente teria uma florada anual pode, dependendo das características e técnicas utilizadas, chegar a duas ou até três floradas.

O resultado é uma combinação entre conhecimento, experiência de cultivo e pesquisa genética.

O formato da flor, a combinação de cores e as manchas em seu interior valorizam ainda mais a beleza desta orquídea. Detalhes que tornam cada espécie única e revelam a riqueza presente na diversidade das orquídeas. Foto/Waldir Joanassi Filho (Dizi)

A orquídea que mais sai do viveiro

Entre tantas espécies, uma das campeãs de vendas do Orquidário CVF é a Cymbidium.

Grande, de hastes abundantes e considerada de cultivo relativamente fácil, a espécie também tem uma característica que chama a atenção: prefere temperaturas mais baixas para florescer.

O clima de regiões mais frias favorece seu desenvolvimento e ajuda a explicar a procura pela espécie entre os cultivadores.

A Cymbidium chama a atenção pelo porte, pelas hastes florais abundantes e pela beleza de suas flores. De cultivo relativamente fácil, a espécie também se adapta bem a regiões de clima mais frio, condição que favorece seu florescimento e ajuda a explicar sua grande procura entre os cultivadores. Foto/Waldir Joanassi (Dizi)

Do Brasil para o mundo — e do mundo para Palmeira

As espécies estrangeiras estão entre as mais procuradas pelos colecionadores. Plantas provenientes de países como Colômbia, Bolívia e Tailândia despertam grande interesse entre os admiradores.

Mas Vilmar faz questão de destacar que o Brasil também possui uma enorme diversidade de orquídeas.

Cada região brasileira possui características próprias e reúne espécies adaptadas a diferentes ambientes.

No Paraná, uma das referências apontadas pelo produtor é a Cattleya forbesii, uma orquídea de flores grandes e que pode apresentar diferentes tonalidades, passando por tons amarronzados, amarelo queimado e nuances arroxeadas.

Cores, formatos, tamanhos e características únicas revelam a grande diversidade de espécies encontradas no Brasil. Foto/Waldir Joanassi (Dizi)

Flores que também colecionam prêmios

Parte das plantas cultivadas no Orquidário CVF também já recebeu premiações.

No universo das exposições e competições de orquídeas, existem diferentes categorias de avaliação, envolvendo aspectos como qualidade da floração, desenvolvimento e cultivo, além de características específicas de determinadas espécies.

As premiações são um reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo de meses ou até anos de cultivo.

Para chegar a uma planta de destaque, não basta simplesmente esperar a flor aparecer. É preciso conhecer as necessidades de cada espécie, controlar o ambiente e acompanhar seu desenvolvimento.

Os prêmios conquistados pelas orquídeas do viveiro representam o cuidado, a dedicação e o trabalho de quem transforma o cultivo em paixão. Foto/Waldir Joanassi (Dizi)

Muito além da venda de plantas

Quem chega ao Orquidário CVF não encontra apenas um lugar para comprar orquídeas.

Flávia e Vilmar também orientam pessoas que estão começando uma coleção e ainda não sabem quais espécies escolher, como cultivar ou quais cuidados cada planta exige.

A experiência acumulada ao longo dos anos permite que o casal compartilhe informações sobre cultivo, ambiente, rega, floração e características específicas de cada variedade.

A proposta é ajudar o visitante a escolher uma planta que realmente consiga cultivar.

Quem quiser conhecer de perto as orquídeas e o trabalho desenvolvido no local pode fazer uma visita mediante agendamento. Uma oportunidade para conhecer a coleção, conferir as espécies e descobrir mais sobre o cultivo dessas plantas tão especiais. Foto/Waldir Joanassi (Dizi)

O passeio começa antes das flores

Visitar o Orquidário CVF também é uma oportunidade para conhecer um pouco mais de Papagaios Novos. O caminho até o viveiro merece ser percorrido sem pressa.

A paisagem rural, as propriedades espalhadas pelo interior e o modo de vida das famílias fazem parte da experiência. A comunidade carrega ainda a presença histórica dos imigrantes alemães do Volga, que chegaram à região de Palmeira a partir de 1878. Papagaios Novos foi um dos núcleos destinados aos imigrantes protestantes, ajudando a formar uma identidade cultural que permanece presente na comunidade.

É um lugar onde o visitante ainda encontra a hospitalidade típica das comunidades rurais: gente que gosta de conversar, contar histórias e falar da terra, das famílias e das coisas que fazem parte do cotidiano.

Por isso, a visita ao orquidário pode começar muito antes da entrada nas estufas.

A comunidade de Papagaios Novos, em Palmeira, guarda marcas da presença dos imigrantes alemães do Volga, que contribuíram para a formação da história, da cultura e das tradições da região. Entre costumes preservados e memórias passadas de geração em geração, essa trajetória continua fazendo parte da identidade da comunidade. Foto/Waldir Joanassi (Dizi)

História no horizonte

Durante o trajeto, outro elemento chama a atenção de quem observa a paisagem: construções e propriedades que ajudam a contar a história da ocupação rural da região.

Entre elas está a Fazenda Conceição, que pode ser avistada à distância no horizonte. A presença de antigas propriedades rurais como essa ajuda a lembrar que a paisagem de Papagaios Novos não é apenas cenário: ela guarda marcas de diferentes períodos da formação histórica de Palmeira.

A arquitetura rural, as antigas casas e as propriedades espalhadas pelo território são parte de uma memória que permanece viva mesmo quando vista apenas de longe.

Entre paisagens rurais e memórias preservadas ao longo do tempo, a Fazenda Conceição carrega parte da história de Palmeira (PR). Um lugar que ajuda a contar a trajetória do município e a importância das antigas propriedades rurais na formação da região. Foto/Waldir Joanassi (Dizi)

Uma igreja que guarda a memória da comunidade

Outro ponto que merece atenção durante o passeio é a Igreja Luterana da comunidade.

O conjunto reúne duas construções: uma mais recente, utilizada atualmente pelos fiéis, e outra histórica, que chama atenção justamente pela simplicidade de sua arquitetura.

Construída em madeira, a antiga igreja revela uma característica marcante das comunidades formadas pelos imigrantes alemães: a capacidade de construir seus espaços de fé com os materiais disponíveis e de transformar simplicidade em identidade.

A antiga igreja luterana guarda em sua arquitetura de madeira as marcas de uma época e a memória de uma comunidade. Um patrimônio que chama a atenção não apenas pela beleza, mas também pela história que permanece viva em cada detalhe. Foto/Waldir Joanassi (Dizi)

A estrutura, os detalhes em madeira e a composição arquitetônica tornam o pequeno templo uma construção especial dentro da paisagem rural.

O destaque está também na forma como a arquitetura conduz o olhar para a cruz, criando uma composição simples, mas de forte presença visual.

Para quem passa pela comunidade, vale a pena parar, observar e fotografar.

Na antiga igreja luterana de madeira, cada detalhe da construção revela o cuidado e a simplicidade de outra época. São elementos que resistem ao tempo e ajudam a preservar a memória e a história da comunidade. Foto/Waldir Joanassi (Dizi)

“Tenho todas as flores do mundo em casa”

A história do casal também passa por uma mudança de olhar sobre o próprio trabalho.

Vilmar conta que já ouviu muitas vezes que “lidar com flor é coisa de mulher”.

A frase, entretanto, parece não ter espaço dentro das cinco estufas do Orquidário CVF.

Durante a visita, ao ser questionado se, com tantas flores ao seu redor, costuma presentear a esposa com orquídeas, Vilmar caiu na risada e respondeu, em tom de brincadeira, que já tem “todas as flores do mundo em casa”.

A resposta resume um pouco da relação do casal com o trabalho: aquilo que começou como uma coleção pessoal acabou se tornando parte da vida dos dois.

Tudo começou com uma única muda. No início, ele chegou a resistir e não queria florescer. Com paciência e dedicação, o casal foi descobrindo os segredos do cultivo e transformou aquela primeira experiência em uma paixão incomum pelas orquídeas. Foto/Waldir Joanassi (Dizi)

Flores que chegam a diferentes lugares

O trabalho do Orquidário CVF também ultrapassou os limites de Papagaios Novos. As plantas cultivadas por Flávia e Vilmar chegam a diferentes regiões por meio da comercialização pela internet e das redes sociais, canais utilizados para apresentar as espécies disponíveis e manter contato com colecionadores e admiradores de orquídeas.

O casal também participa de feiras e eventos especializados realizados no Paraná e em outros estados, levando parte da produção para perto do público e também ampliando a rede de contatos com outros produtores e colecionadores.

Outra forma de conhecer e adquirir as plantas é visitar o próprio orquidário. As visitas precisam ser agendadas, mas quem chega ao local encontra muito mais do que uma loja: são cinco estufas repletas de espécies, cores, formatos e tamanhos diferentes. Muitos turistas e visitantes aproveitam a experiência para escolher e levar novas orquídeas para suas próprias coleções.

Vilmar observa de perto as micro-orquídeas que estão sendo preparadas para a venda. Pequenas no tamanho, mas cheias de detalhes e delicadeza, elas exigem atenção especial em cada etapa do cultivo. Foto/Waldir Joanassi (Dizi)

Uma coleção que continua crescendo

De aproximadamente 20 plantas para mais de 30 mil exemplares, a trajetória do Orquidário CVF é marcada pela multiplicação.

Multiplicação das plantas, das espécies, das estruturas e também do conhecimento.

O que começou com uma pequena coleção entre amigos hoje reúne cinco estufas, milhares de plantas, centenas de espécies e uma coleção particular de micro-orquídeas.

Em Papagaios Novos, entre o campo e as estufas, Flávia e Vilmar transformaram uma paixão em trabalho e fizeram das orquídeas uma forma de produzir, pesquisar, preservar e compartilhar conhecimento.

E talvez essa seja a melhor maneira de conhecer o Orquidário CVF: sem pressa. Primeiro pela estrada, pelas paisagens e pela história de Papagaios Novos; depois pelas flores, pelas estufas e pelas histórias de Flávia e Vilmar.

Porque, naquele pedaço do interior de Palmeira, a experiência começa muito antes de encontrar a primeira orquídea e continua depois que se deixa o viveiro.

SERVIÇO

O Orquidário CVF – Coleção Vilmar e Flávia recebe visitantes mediante agendamento. Além de conhecer as cinco estufas e a diversidade de espécies cultivadas, o público pode adquirir orquídeas diretamente no local.

As visitas podem ser agendadas pelos telefones e WhatsApp (42) 99104-6780 e (42) 99133-1076. O orquidário também mantém conteúdos e informações sobre suas plantas nas redes sociais, pelo perfil @orquidario_cvf, no Instagram e no TikTok.